Liberdade Religiosa: um presente de aniversário

Dia 21 de abril de 2013. Você deve ter pensado imediatamente em Tiradentes, um conhecido herói nacional, símbolo dos ideiais de liberdade e que teria pago com a própria vida o preço da sua busca. Embora seja uma importante referência de liberdade, quero contar-lhes um episódio mais simples: não é parte da história do Brasil e nem recebeu a atenção da mídia.

Também não está nas redes sociais, mas marcou o ultimo dia 21 de abril de minha vida. Era meu aniversário, e saímos em família naquela tarde para escolher o meu presente que eu já sabia ser um “ tablet”. Em meio ao processo de escolha e compra, o meu filho de apenas 4 anos se adiantou e me deu o melhor dos presentes daquele dia. Veio em forma de uma pergunta inesperada: “ Mamãe, o que é liberdade? Como diria a turma jovem, eu fique “todos os tons de bege”. Não sabia como responder. Aí decidi por uma resposta tão infantil quanto ele e disse: “ Filho, significa estarmos livres para fazer o que quisermos” e abri os braços como asas para voar. Mas ele insistiu: “ Mamãe, não estou falando dessa liberdade, mas da liberdade que você trabalha”. Ah! Aí fiquei “todos os tons de rosa” e, colocada agora em dificuldade maior ainda respondi: “ Filho, é estarmos livres para irmos à igreja”. Óbvio que eu sabia que aquela não era a melhor resposta, a mais completa e a mais adequada, mas eu não tinha muita escolha diante da infantilidade_ não tão infantil_ , pensei, do meu filho de 4 anos.

Bem, como disse, aquele foi o meu melhor presente, imaginar que o meu filho tão pequeno teve a atenção, à sua maneira e de alguma forma, atraída para o tema da minha vida. E comecei a refletir sobre este episódio. Na primeira oportunidade que tive, depois daquele dia, de falar publicamente sobre liberdade religiosa, fiz a seguinte declaração, que sintetiza a minha reflexão sobre aquele 21 de abril: se
este tema foi capaz de chamar a atenção de uma pequena criança, ele tem que ser capaz de chamar a atenção de todos nós, cidadãos em geral, jovens, profissionais, poder publico, instituições públicas e privadas, porque direito à liberdade religiosa, é direito fundamental à dignidade da pessoa humana. Está garantido constituicionalmente (art. 5o, VI e VIII) a todos o brasileiros e estrangeiros que estão nesse pais, o direito de escolher uma religião, professa-la, divulga-la e organiza-la.

Para os que possuem uma crença e mesmo para os que não a possuem e que devem ser igualmente tutelados pelo direito, esse sentimento pode ser mais precioso e caro do que todos os seus bens, do que o alimento e a veste. Ofender o sentimento religioso de alguém pode significar uma violência mais grave que a própria violência física. Portanto, este assunto precisa chamar a atenção de todos nós, como merecedor de proteção, respeito, vigilância e cooperação, Nós vamos seguir nesta coluna contando fatos e refletindo sobre eles, dizendo o direito que temosa e também refletindo sobre ele, e que esta coluna não nos leve apenas à busca de soluções imediatas, mas que nos tornemos em sementes de uma nova floraçao que que transmude qualquer espécie de intolerância, discriminação e preconceito religiosos, em realidades mais humanas, mais fraternas e mais justas.

Fonte: Conexão Jovem (Revista Virtual)

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