Preconceito, Discriminação e Intolerância: existe diferença?

Ontem, uma notícia deixou-nos a todos perplexos. Um religioso, que passeava com o seu cachorro pela vizinhança, paramentado com suas vestes religiosas, foi agredido verbalmente, e a sua mãe, agredida fisicamente, pelo simples fato de agressor e agredido serem de religiões diferentes.

Evidentemente que tal acontecimento deve impor-nos lições. Não se pode apenas passar por ele sem fazer reflexões de ordem geral, legal, humanista e de cidadania. Aliás, esta história não é diferente do que está acontecendo no Morro da Mangueira no Rio de Janeiro, onde religiosos que primeiro povoaram aquela área com seus costumes, tradições e religiões, estão sendo expulsos de suas casas e de seus locais de culto por adeptos de outros segmentos religiosos. O sinal de alerta deve ser aceso por todos nós.

É muito fácil prestigiarmos os iguais, mas é o maior dos desafios convivermos, respeitarmos e reconhecermos o diferente. O que preocupa então, não são apenas os fatos acima, que por si só já são gravíssimos, mas a evidência de uma cultura de ódio e de intolerância que podem estar em franco avanço. Paremos agora e pensemos: quando eu me sento ao lado de um muçulmano em um avião, o que sinto, o que penso? Quando me sento em um transporte público ao lado de um religioso de matriz africana, o que penso, o que sinto? Mais que isso, o que faço? Quando um colega de escola ou de trabalho tem costumes religiosos diferentes dos meus em dieta alimentar, dias de guarda, vestimentas…Como ajo?

Nesse contexto, é possível agora fazermos uma rápida distinção entre preconceito, discriminação e intolerância.

O preconceito é a face oculta da discriminação, é subjetivo, é interno, mas pode ser exteriorizado e quando isso acontece, a sua manifestação se chama discriminação. Discriminar é separar pessoas, por sua raça, etnia, religião, condição social, cultural etc.. Se o preconceito é a face oculta, a intolerância é a face mais odiosa da discriminação, que pode levar o preconceituoso a agir de forma violenta em relação ao objeto do seu preconceito.

Desse modo, fatos como os que foram acima narrados que bem ilustram as faces do preconceito, da discriminação e da intolerância, são de natureza extrema, produto de radicalismo e fundamentalismo religiosos, mas a sua manifestação nem sempre se dá de forma violenta e pode estar ocorrendo em pequenos atos, gestos, palavras, sentimentos que poderão se tornar em sementes de disseminação do ódio, da intolerância, da violência e, finalmente, do ataque à tão valiosa liberdade religiosa de todas as pessoas e em todos os lugares.

Fonte: Conexão Jovem (Revista Virtual)

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